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sexta-feira, 8 de julho de 2011

"A educação pública no Chile é possível, não estamos falando de utopias"

Em entrevista, estudante secundarista comenta sua expulsão por fazer movimento  
07/07/2011
Caio Zinet, César Fernandes e Naiady Piva

Lorena Mussa, estudante do Ensino Médio de Arica, uma cidade do Chile, foi expulsa de sua escola após fazer um chamado, por meio do Facebook, a seus colegas para debater e aderir as recentes mobilizações no país por uma educação pública gratuita e de qualidade. Apesar da tentativa de intimidação, Lorena continua participando ativamente das mobilizações no Chile.

Assim como no Brasil, a educação chilena sofre diversos ataques comandados por organismos internacionais como o Banco Mundial, que caminham no sentido da privatização e da mercantilização do ensino. O governo chileno do presidente Sebastian Piñera apresenta um projeto de reforma da educação do país, centrado principalmente no privatização das escolas, atentando contra a educação pública acessível a todos.
Os estudantes, no entanto, não deixam com que essas reformas sejam introduzidas de maneira tranquila, e resistem. Assim como em 2006, milhares de jovens vão as ruas, convocados pela Federação de Estudantes do Chile (CONFECH) e pelos sindicatos docentes, para reivindicar a gratuidade do ensino, maior repasse para assistência estudantil, entre outras pautas. Somente na última quinta-feira, cerca de 400 mil pessoas foram as ruas em seis cidades do país para protestar.
O Barricadas entrevistou, por e-mail, Lorena Mussa, que em meio à correria das mobilizações estudantil reservou um tempo para mandar informações para o Brasil.
Quem é você, onde estuda e como é sua participação nas manifestações recentes?
Lorena Mussa: Sou Lorena Mussa, tenho 17 anos e sou militante da Frente de Estudantes Libertários. Atualmente expulsa verbalmente do Colégio Alemão de Arica (Chile) por convocar uma assembleia aberta para meus companheiros de colégio. Estou há sete dias sem assistir as aulas.
Minha participação nas recentes manifestações vem de algum tempo, eu e outros companheiros secundaristas de luta organizamos a primeira assembleia de 2011 em Arica para formar uma coordenação de secundaristas. Esta coordenação - AGEAP (Assembleia Geral de Estudantes de Arica e Parinacota) - agrupa todos os centros de estudantes e também estudantes sem cargos. Este foi o início das escolas tomadas e mobilizadas em Arica. Não tenho nenhum cargo na minha escola, mas no calor da luta acabei com um papel de direção.
O que ocorre hoje no Chile? Qual a participação da juventude nestes processos em curso?
Está se desenvolvendo no Chile um importante movimento político que começou como luta estudantil e está se transformando em luta político-social.
Temos hoje mais de 500 colégios ocupados pelos alunos e a maioria das universidades estão paralisadas, é algo que não se via há muitos anos e tem encontrado apoio em outros setores da sociedade, reunindo mais de 400 mil pessoas nas manifestações que tem ocorrido todos as semanas há um mês.
A forma de organização tem sido a mesma que tem caracterizado a Primavera Árabe ou os Indignados da Espanha: as redes sociais. Grupos no Facebook, chamados no Twitter e outras ferramentas tem servido como meio de difundir e massificar. No entanto, a utilização destes recursos serviu de desculpa para que a diretora Luz Marina Osoria me expulsasse por convocar uma assembleia em que se informaria sobre um abaixo-assinado unitário apresentado pelo movimento e as demandas dos estudantes chilenos.
Esta luta da sociedade chilena tem gerado uma maturidade importante. O povo chileno está reivindicando ter uma educação melhor a serviço do povo. Entendemos a educação como um direito social, portanto deve ser de livre acesso, gratuita e socializada. Sem dúvida hoje no Chile estamos vivendo um momento histórico e isto depende de nós!
Fazemos um chamado como estudantes chilenos à radicalização do movimento e à unificação de forças. Por um projeto de educação pública construído por todos.
Por que te expulsaram da escola?
Me expulsaram por convocar uma assembleia via Facebook. O objetivo da assembleia era unicamente informativo. Isto demonstra que aqui no Chile se violam a liberdade de expressão, o direito de reunião, a democracia.
Assim que me comunicaram que eu estava expulsa me mantiveram reclusa por 5 horas, incomunicável e sem deixar que eu saísse almoçar. Além disso anteriormente eu já tinha recebido ameaças de morte por parte da diretora caso ocupássemos a escola.
Como foi o processo de expulsão?
Minha expulsão ocorreu apenas de forma verbal. No dia em que fui à escola com meus pais, fomos tirados de lá com a polícia, porque nos negamos a assinar um documento que atestasse a minha expulsão. Não me deixam assistir às aulas e bateram a porta na cara do meu pai quando ele foi entregar um documento para apelar às instâncias internas do colégio. Meus companheiros estão ameaçados pela diretora e pelos inspetores do estabelecimento.
Tenho recebido bastante apoio nacional e internacional, graças aos veículos que divulgaram minha situação. 
Há outros casos de repressão, além do seu?
Sim, eu enfatizo muito que esta não é uma luta minha, não é a luta de Lorena Mussa, é a luta de todos. Eu só me encarreguei de denunciá-la. E é algo que está se passando ao redor de todo o Chile. Aqui mesmo em Arica, no momento de tentarem ocupar um colégio particular feminino, as golpearam com pedaços de pau, mesas, extintores, etc. Temos um caso na cidade de Iquique (ao sul de Arica), em que a polícia acorrentou os estudantes no momento da desocupação de uma escola. O estado em que nos encontramos é brutal. Mas isso reafirma a todos nós a convicção de que a educação no Chile precisa de uma mudança radical já.
Os proprietários dos colégios agem como donos de empresas e, se vêem seus interesses ameaçados, não hesitam em criminalizar a luta dos estudantes chilenos, os ameaçando e reprimindo. Mas não nos intimidam, nos inspiram a seguir lutando pela eliminação do lucro na educação, até termos uma educação gratuita, digna e de qualidade para todos.
Quais são os passos a seguir, em relação à expulsão? O que os estudantes de todo o mundo podem fazer?
Primeiramente, estamos apelando a todas as instâncias internas do colégio. Essa semana, entramos com um recurso de proteção ante a suprema corte. O que pedimos, como estudantes chilenos, é a máxima divulgação e a denúncia desses atos criminosos que não podem continuar acontecendo. Não é possível que em uma “democracia” se violem direitos humanos.
Outros setores, além da juventude, têm participado destas ações?
Sim, nessas atuais movimentações que se somam em todo o país, para exigir o que é justo. A educação pública no Chile é possível, não estamos falando de utopias, mas de uma realidade que está latente! O Chile tem, atualmente, uma das melhores economias da América Latina e ainda assim a educação não é gratuita, o que é uma vergonha para os chilenos. Vemos como os países vizinhos que não tem uma economia como a nossa tem uma educação gratuita e de qualidade. 
Você vê alguma relação forte entre os atos chilenos e os recentes levantes que tem se instalado em todo o mundo?
Sem dúvida, há uma relação muito forte entre os atos chilenos e todas as mobilizações que estão se acontecendo no mundo. Pessoalmente, acredito que é a indignação: indignação no caso dos países árabes, indignação na Espanha e indignação no Chile. Como disse um economista: o Chile é o único país que privilegia a liberdade de empresa sobre o direito à educação.
Nós não acreditamos que seja possível que a mensalidade das escolas seja maior que o próprio salário mínimo - assim o rico pode estudar e o pobre não.
Conheças as principais demandas dos protestos dos estudantes no Chile:
Universitários
    *      Aumentar a porcentagem do PIB no financiamento público para a educação;
    *      Democratizar o sistema de educação e o acesso com equidade, qualidade, integração e heterogeneidade social nas matrículas (dentro do primeiro âmbito, se inclui o desenvolvimento das universidades públicas, a proibição efetiva do lucro e a criação de um Centro de Formação Técnico de caráter público e nacional);
    *      Em nível estrutural, exigimos a implementação de uma reforma tributária que tenha como finalidade prioritária outorgar o financiamento adequado para realizar essas políticas nos marcos de uma profunda reforma educacional.
    *      Finalmente, com vistas a melhorar o acesso e a equidade, a CONFECH reivindica que se elimine a PSU (Prova de Seleção Universitária), que nós entendemos como filtros de classe explícitos e desnecessários.
Secundaristas
Nós, secundaristas, estávamos inconformados com os rumos da educação, o que gerou a “Revolução dos Pingüins” (uma referência aos uniformes azuis e brancos dos secundaristas da rede pública, que causou uma forte crise no governo Bachelet, mais de 600 mil pessoas foram às ruas). Hoje, voltamos e exigimos novas mudanças na institucionalidade e lutamos por escolas mais dignas.
Nesse sentido, a reivindicação dos secundaristas tem cinco pilares fundamentais: o fim da municipalização e do sistema de subsídios, o aumento da cobertura da assistência estudantil, melhoras na infra-estrutura, regulamentação das escolas-técnicas e rechaço às reformas educacionais do governo.
Para acabar com a municipalização e os subsídios, propomos mudanças na administração financeira e nos requerimentos mínimos para a existência de colégios de responsabilidade do Estado.
Brasil de Fato.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Professores e estudantes, as suas lutas são casadas.

Por todo o país se espalham as greves de professores das escolas públicas. Os governos, na maioria das vezes, negam-se a atender suas reivindicações e as greves se estendem por semanas. Os governos usam todo tipo de falácia para convencer a população e especialmente os estudantes a se voltarem contra seus professores. Algumas mentiras como: “os professores são irresponsáveis ao tirar o direito das crianças de ter aula”, “nós não temos condições de financiar o que o professores reivindicam”.


Primeiramente vamos analisar quais são as reivindicações dos professores, que as razões das greves. O salário do professor na maioria dos estados não é muito maior do que o valor da mensalidade de cursos de licenciatura em universidades privadas e comunitárias. As condições de trabalho para os professores, ou seja, a estrutura nas escolas públicas é de péssima qualidade, há desde falta de materiais, problemas estruturais de extrema gravidade como rachaduras nas paredes, problemas de higiene, salas superlotadas.

Vejamos que todos esses problemas prejudicam também os estudantes, afinal o ambiente de trabalho do professor é o ambiente de estudo, logo, todas as reivindicações dos grevistas relacionadas a estrutura escolar também deveriam ser as reivindicações dos estudantes.

A questão do salário também é de importância para os estudantes e para a população em geral, afinal se essa profissão importantíssima é tratada com descaso, essa irresponsabilidade do governo vai se refletir no futuro, quando cada vez mais jovens desistirão da carreira de professor por conta do péssimo retorno financeiro. Então quem ajudará as crianças e jovens a aprender para exercer um trabalho produtivo em pró da comunidade?

Vejamos então que é o governo que está tirando o direito das crianças de, no futuro, poder ter uma educação de qualidade. Quanto às crianças e jovens de hoje, é completamente falso o discurso de que estes sairão mais prejudicados com a greve. Todos os dias a aprendizagem da juventude é precarizada por causa do descaso do governo com a educação. A dedicação dos estudantes e o heroísmo dos professores não são suficientes para garantir qualidade na educação.

O governo deve entender que a única forma de garantir que os estudantes, professores e a população não saiam prejudicados com a greve é atender as reivindicações dos grevistas e assim tornar possível o retorno das aulas com ganhos reais para professores e estudantes.

Não há dinheiro para a educação? Ora, existem acusações gravíssimas inclusive de desvio de verbas do FUNDEB em Santa Catarina. Dinheiro há sim, onde ele está é a questão.

Os estudantes e a população devem compreender que só a greve, a organização, a luta na rua é que forçará os governantes a atender nossas reivindicações. Esses homens que têm a caneta na mão, fora raras exceções, são comprados pelos exploradores ricos através do financiamento de campanhas e da corrupção, só se interessam por eles mesmos.

Professores e estudantes, trabalhadores, unam-se na luta pela educação pública gratuita e de qualidade.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Greve dos Professores!

Iago Paqui, presidente da União Joinvilense dos Estudantes Secundaristas(Ujes), é estudante do Tufi,  está junto com os grêmios da cidade apoiando e participando da greve dos professores da rede estadual.
" A Ujes entende que a luta pela aplicação da lei do Piso Salarial Nacional para os trabalhadores da educação é justa e importante para todos aqueles que defendem uma educação pública gratuita e de qualidade, professores valorizados significa a educação valorizada" Iago.
"Depois da greve a organização do grêmio estudantil do Tufi Dippe e o Congresso da Ujes serão questões centrais para continuar a luta pela educação pública gratuita e de qualidade, melhorias nas escolas, mais democracia na escola" Iago.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Declaração da Ujes sobre a falta de professores e sobre o fechamento de alguns turnos e escolas em Joinville.

 A Ujes teve a oportunidade na ultima sexta-feira de reunir-se com a gerente de educação Clarisse Portella e sua equipe, abaixo a declaração da Ujes a respeito de alguns dos temas debatidos na reunião.

 O ano não começou bem para os estudantes de Joinville. Começa que em algumas escolas como Conselheiro Mafra, João Colin e Dom Pio, os turnos noturnos foram fechados. A Gerência Regional de educação argumenta que as matrículas não atingiram o mínimo estipulado de 120 estudantes, e que por isso, os turnos se manterão fechados, e os estudantes terão que estudar em outras escolas, próximas a suas casas, argumenta que a maioria dos estudantes “não são trabalhadores e têm menos de 18 anos de idade”, e que por isso deveriam estudar nas escolas de seus bairros e principalmente no turno matutino. Haviam se matriculado para o turno noturno no João Colin: 65 estudantes, no Conselheiro Mafra 57, e 49 no Dom Pio.
 A opinião da Ujes é de que a Gerência de Educação não está levando em conta, a qualidade do ensino, nem as necessidades dos estudantes. A evasão no ensino médio segundo a própria Gerência e de 46%! E qual é a política do Estado em relação a esse número assustador? Diminuir as facilidades de acesso e a permanência a escola, fechar turnos, diminuir as opções para os estudantes. Ainda se deve levar em conta que as escolas de periferia têm o turno diurno com salas de aula lotadas com 35, 45 estudantes, o que o Estado propõe é lotá-las ainda mais.
 A atitude correta deveria ser contratar professores, investir em infra-estrutura, abrir turmas com 10, 15 alunos se fosse o caso, mas garantir o acesso a uma educação pública gratuita e de qualidade. Mas o Estado está preocupado é em cortar gastos. A Ujes defende que o Estado amplie os investimentos para uma educação pública gratuita e de qualidade.
 Para piorar, em quase todas, se não todas, as escolas de Joinville estão com falta de professores, a Gerência argumenta que “os pais dos estudantes deixam para fazer a matrícula de seus filhos na ultima hora, entre final de janeiro e fevereiro” e que “muitos professores desistem de suas vagas e muitos outros estão se aposentando”, ainda coloca que se deve aguardar a decisão a respeito dos novos diretores de escola, já que estes são indicados pelo governo e esse ano tem a troca no governo do Estado, isto porque alguns dos diretores ainda estão contratados como professores. Para a Ujes, fica evidente que o problema é a contratação de professores e ainda o incentivo a esta profissão, é claro que ser professor não tem, mas sido o sonho das crianças, e que muitos venham desistindo, o governo não valoriza o professor, diga-se o salário e as condições de trabalho que são péssimas. Porra, a culpa é do pai que espera para matricular o filho? O governo não faz idéia quantos estudantes vão estudar no próximo ano?
Para nós essa situação é reflexo da falta de investimento, de verbas, para contratar professores, investir em estrutura, falta de vontade política, descaso, incompetência. Isso não pode, e não vai continuar assim, queremos educação pública gratuita e de qualidade!

 Diretoria da União Joinvilense dos Estudantes Secundaristas.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Estudantes vão a Câmara de Vereadores para pedir atenção do poder público.

A União Joinvilense dos Estudantes Secundaristas e estudantes das escolas João Colin e Conselheiro Mafra  estiveram na Câmara de Vereadores de Jonville para fazer uso da palavra livre junto ao SINTE para denunciar a questão do fechamento de turnos em várias escolas de Joinville. Os estudantes expuseram a questão do fechamento dos turnos e explicaram aos vereadores o quanto saíriam prejudicados pela decisão da Gerencia de Educação. "É uma injustiça para com os estudantes, o governo deveria abrir vagas e não fechar, dessa maneira temos que lidar com as salas superlotadas" disse Iago Paqui, Presidente da Ujes, " As matriculas foram abertas fora da temporada e muitos estudantes não tiveram a oportunidade de se matricular" disse Clarice, Coordenadora do SINTE. Quinta Feira os estudantes vão voltar a Câmara ás 15h para participar da reunião da comissão de educação, onde espera-se a presença da Secretária regional de educação.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Estudantes protestam contra o fechamento de turno.

Ontem estive na escola Conselheiro Mafra contribuindo para um ato público realizado pelos estudantes e professores daquela escola contra o fechamento do turno noturno. Outras escolas estão sendo afetadas pela mesma medida como o João Colin, o Celso Ramos, o Dom Pio de Freitas e mais.
A Gerência de Educação argumenta que para manter o turno aberto seria necessário que houvesse pelo menos 120 alunos matriculados, e que ainda 90% dos alunos são de periferia e apenas 15% trabalham durante o dia.
O que acontece é que este ano os estudantes foram pegos de surpresa, pois a matricula foi aberta em outubro (geralmente é em novembro), e poucos estudantes já se matricularam. Ainda há denuncia por parte dos professores e alunos que a Gerencia não só não está divulgando as datas de matrícula como também ordenou que a faixa que estava estendida na frente do Conselheiro Mafra chamando a comunidade a fazer a matricula fosse retirada. O que está acontecendo?
Parece claro que a Gerencia de Educação quer na verdade cortar gastos, deixar os estudantes sem escola e os professores sem emprego. É mais barato lotar as salas das escolas de periferia do que manter um padrão de qualidade com 20 alunos por sala. Agora os estudantes que trabalham terão que retornar ao bairro, chegar atrasado na escola e se prejudicar por causa da irresponsabilidade do Governo que não quer investir em educação.
A União Joinvilense dos Estudantes Secundaristas e o SINTE são solidários a luta dos estudantes e professores e vão contribuir, para cobrar do governo que abra escolas e não deixem o jovem mais distante da educação.


- Contra o fechamento de turmas e de turnos!
- 20 alunos por sala de aula!
- Melhores condições de trabalho para os professores!
- Contratação de mais professores!
-Todos na Escola Pública com qualidade e gratuita!

Iago Paqui - Presidente da Ujes.

sábado, 20 de novembro de 2010

GRÃ-BRETANHA: MAIOR MANIFESTAÇÃO ESTUDANTIL EM DÉCADAS - E ESTE É APENAS O COMEÇO

Na quarta-feira, 10 de novembro, Londres testemunhou uma resposta esmagadora dos alunos, uma manifestação de mais de 50 mil marchou em protesto contra os ataques que ocorrem no Ensino Superior.

Acontecimentos mudaram o rumo na Grã-Bretanha. Uma primeira reação teve lugar esta semana contra o programa de cortes violentos que está sendo introduzido pela coalizão liderada por “Tory-led”. Na quarta-feira, 10 de novembro, Londres testemunhou uma resposta esmagadora dos alunos, uma manifestação de mais de 50 mil marchou em protesto contra os ataques que ocorrem no Ensino Superior.


A manifestação, uma demonstração conjunta da União Nacional dos Estudantes (National Union of Students -NUS) e da União dos Docentes dos Colégios e das Universidades(University and College Lecturers Union - UCU), marcou um ponto de inflexão para a luta de classes na Grã-Bretanha, que será vista pelos trabalhadores em toda parte como a primeira expressão da raiva e frustração, em desenvolvimento dentro da sociedade como um todo. Não se vê esses números na Grã-Bretanha desde os protestos contra a guerra do Iraque. Mesmo os protestos estudantis contra a Guerra do Vietnã, em Grosvenor Square em 1968, foram apenas um pouco maior.





As taxas e os cortes


Em 1998 o novo governo trabalhista sucateou a educação gratuita através de subvenções públicas às privadas. Apesar de uma promessa eleitoral de não aumentar as mensalidades, o novo governo aprovou em 2004 uma lei para aumentar o custo das mensalidades no Ensino Superior (HE - university level education) de £ 1.250 para £ 3.290 por ano. A lei só foi aprovada na Câmara dos Deputados porque Tony Blair articulou minuciosamente o apoio dos conservadores para vencer a rebelião de trabalhadores nos bastidores.


À luz da crise capitalista a “Browne Review” recomendou, em 12 de outubro deste ano, que as universidades sejam autorizadas a cobrar taxas ilimitadas de ensino, indo muito mais longe do que era esperado, o que revela a profundidade da crise. Apesar do novo governo de coalizão conservadores-liberais prometer levar em conta as recomendações da “Browne Review”, o governo recuou da beira do abismo por medo das consequências sociais e políticas. No final, eles anunciaram planos para permitir taxas de até £ 9.000 por ano. Muito embora os alunos não sejam obrigados a pagar qualquer valor adiantado, a dívida que se acumula será emprestada a juros - os juros que vão direto para os bancos!


Além das taxas crescentes, o governo de coalizão anunciou na “Comprehensive Spending Review” (CSR) em 20 de outubro, que o orçamento de ensino para as universidades seriam cortados em 40%. Isso levanta a possibilidade de fechar universidades inteiras, juntamente com fechamento de cursos na maioria das universidades. Os alunos, portanto, não serão os únicos afetados pelos cortes, o UCU estima que mais de 22.000 postos de trabalho em universidades estão em risco, incluindo os professores e pessoal de apoio.


A imagem é extremamente desoladora nos FE (Further Education - educação para 16 a 18 anos), com cortes previstos em 25%. As instituições FE educam e treinam mais alunos, maiores de 16 anos, do que as “sixth forms”e as universidades juntas. As FE são claramente necessárias: cerca de um milhão de alunos entre 16 e 24 anos são classificados como "NEETS" (Sem emprego, sem educação, sem treinamento). O subsídio de manutenção da educação (Education Maintenance Allowance - EMA) de até £ 30 por semana para as famílias pobres, corre o risco de ser desmantelado. Nacionalmente 46% dos estudantes FE são atendidos pela EMA, em áreas mais pobres figura próximo dos 80%.


Estes cortes, que formam parte de um ataque generalizado aos serviços públicos, estão rasgando a política de consenso das últimas duas décadas. A ilusão de que na Grã-Bretanha existia um tipo de "meritocracia", onde não importava o quão imperfeito, onde seus filhos tivessem a oportunidade de chegar ao topo com um pouco de trabalho duro, foi destruída. Não é de estranhar, portanto, que as bolhas de raiva estão começando a emergir.




Demonstração Nacional


Até recentemente o movimento contra os cortes nas universidade havia sido conduzido principalmente pelos trabalhadores da universidade, que estavam enfrentando as consequências mais imediatas da crise, sob a forma de perda dos postos de trabalho, congelamento de salários, e os ataques à previdência e às condições de trabalho. Como resultado, a UCU esteve em greve por diversas vezes ao longo do ano passado, tanto em instituições de HE como FE.


A direção da NUS, no entanto, não tem acompanhado a militância no período recente, e até mesmo chegou a abandonar a sua posição oficial sobre a campanha de educação gratuita da Conferência Nacional de 2008.


Como os detalhes da “Browne Review” e da RSE emergiram no último mês, as atividades nas universidades começaram a acelerar. As entidades estudantis de todo o país deram grande apoio a protestos e encontros sobre como combater as taxas e cortes que cresceram. Protestos em universidades , como a conscistente marcha dos 1000 da Universidade de Oxford, deram uma indicação do estado de espírito que estava se desenvolvendo.


No dia da marcha, ficou claro desde o início que havia uma mudança no ar. Do ponto de partida se ouvia o barulho dos estudantes marchando que estavam distantes. Uma atmosfera de carnaval parecia ter dominado a marcha. Ficou claro, como os estudantes chegaram mais e mais, o tamanho da aglomeração se tornou evidente. A manifestação intoxicou-se com o reconhecimento de sua própria força.


Desde a crise financeira em 2008, muitos viram o que está sendo preparado na sociedade com uma espécie de silêncio. As pessoas têm dito que não há nenhuma voz ou movimento para aqueles que desejam combater os cortes. No entanto, o clima entre os estudantes foi eletrizante. Era como se, após um período de impotência e isolamento, os estudantes descobrissem que não estavam sozinhos, que eram parte de um movimento maior, com um propósito definido.


Houve um surto de última hora de participantes de universidades, juntamente com muitos estudantes secundaristas de Londres, que haviam boicotado as aulas no dia, empurrando assim os números para mais de 50.000, segundo estimativas fornecidas pelo NUS. Tais números foram verdadeiramente espantosos, era uma imagem surpreendente, com o protesto estudantil vibrante enchendo as ruas de Londres durante mais de cinco horas. O número de 50.000 foi o mais impressionante, considerando que o protesto era quase inteiramente composto por alunos, com alguns funcionários da universidade, que estava no meio da semana, exigindo, portanto, dos alunos a falta às aulas e não permitindo que outros trabalhadores mostrassem solidariedade. Assim foi o clima alegre dos alunos que, ao contrário do estereótipo típico de estudante letárgico, a marcha transbordou a posição inicial e saiu antes do horário agendado.




Onde será a próxima?


Para a maioria dos 50.000 estudantes na manifestação nacional, a questão na mente agora será "E agora?" É claro que as manifestações por si só não vão derrotar os cortes. As grandes manifestações de mais de um milhão de pessoas em Londres em 2003 contra a guerra no Iraque não conseguiram impedir o governo de Blair. A classe dominante pode tolerar manifestações, por mais fortes que sejam, enquanto estas não põem em cheque o seu direito de governar sobre a sociedade. O que é necessário é um movimento que possa derrubar esse governo.


A tarefa imediata para os estudantes, agora, é criar uma campanha de luta contra as taxas e cortes em todas as universidades, em colaboração com os trabalhadores das universidade. A pressão deve ser colocada sobre os líderes da união dos estudantes em cada campus para pedir reuniões em massa de estudantes, juntamente com os vários sindicatos que representam os trabalhadores - a UCU, Unite, e da Unison. Estas campanhas devem estar ligados com o movimento sindical local, a fim de construir um movimento de massa dos trabalhadores e da juventude contra os cortes. Os grandes acontecimentos de maio de 1968 na França, têm mostrado que é possível quando estudantes e trabalhadores se unem e lutam.


Em última análise, temos que dizer a verdade aos estudantes e trabalhadores: as reformas do passado - a educação gratuita, assistência médica universal, aposentadoria decente aos 65 anos - não são mais possíveis sob o capitalismo. A transformação radical da sociedade é necessária.


A manifestação nacional de estudantes foi importante porque foi o primeiro passo na ligação entre o movimento estudantil com a classe mais ampla de trabalhadores. O que ficou claro foi que o novo estado de espírito não caiu do céu. É a primeira válvula de escape para um descontentamento fervente que eclodiu como resultado dos cortes. Esse humor, os “Tories” não pode cortar, e se enfurece logo abaixo da superfície.


Milhares de estudantes foram para casa de suas respectivas universidades, com uma história para contar e uma educação política cem vezes mais valiosa do que a que se pode adquirir a partir de um livro ou de um seminário. Centenas de milhares de pessoas olhavam, e estão começando a tirar suas próprias conclusões.


Lembre-se do 10 de novembro. Ele marca um importante começo na Grã-Bretanha. O movimento dos estudantes marca a primeira etapa na luta de classes, um prelúdio para o despertar da classe trabalhadora britânica.

sábado, 28 de agosto de 2010

Atenção Estudantes!


Há meses a reforma na escola está em andamento, e em algumas salas de aula já foi concluída. O que se pode observar é que os quadros estão sendo trocados por outros quadros de giz, e que as coisas não melhoraram muito.É um ano eleitoral e os governantes querem mostrar “trabalho”, a questão é: a reforma está resolvendo todos os problemas da escola ou é só uma mascara para as eleições? As nossas salas de aula precisam ser melhor equipadas, precisamos de portas e maçanetas novas, temos graves problemas com falta de estrutura. O que os estudantes podem fazer? Esse é o melhor momento para nos unirmos através do grêmio estudantil para cobrar do governo que cumpra suas responsabilidades, vamos reivindicar aquilo que achamos que deveria estar incluído na reforma e fiscalizar o andamento das obras.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Por salas de aula climatizadas.


Sabe-se que em Joinville chove muito, mas sabe-se também que o inverno é frio e o verão quente. O que só os estudantes e os professores sabem e o governo finge não saber, é que os estudantes tem de enfrentar as condições climáticas dentro de sala de aula. Se voce estuda em escola pública, deve saber do que estou falando, imagine 30° C de temperatura dentro de uma sala de aula com 35 estudantes, ou imagine um frio de 8° C num dia de chuva, a dificuldade de se concentrar nos estudos.
Tudo isso porque as salas de aula não estão equipadas com arcondicionado, a maioria possui apenas ventiladores que mal funcionam.“No verão os ventiladores não dão conta de resolver o problema do calor e no inverno não servem pra nada!” diz Sabrina Galdino, estudante da escola estadual Dr. Tufi Dippe.
O aparelho de arcondicionado é uma reivindicação real e justa, não é pedir muito, afinal pagamos tantos impostos!.
Apesar dos problemas enfrentados pelos estudantes, o governo não toma nehuma providência. O que fica claro, é que precisamos nos organizar para cobrar do governo o nosso direito, é a única maneira de garantir o nosso deireito a uma educação pública gratuita e de qualidade.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Nos EUA, escolas melhores para os mais ricos


O que é o chamado "darwinismo social" e como se aplica nos EUA


América - a terra das oportunidades - assim diz o ditado. Mas esta é uma frase tão superficial, quando você olha para ela mais a fundo, bem no coração e no núcleo do futuro da classe trabalhadora dos EUA, que é a educação de jovens e, quando vemos que a suposta "igualdade" não está nem perto de ser igual. Na verdade, parece que a educação americana está mais baseada em manter as pessoas pobres e ignorantes para manter um fornecimento estável de trabalho barato e não qualificado para trabalhar os poucos empregos que estão disponíveis, do que, efetivamente, proporcionar uma educação real.

Darwinistas sociais argumentam que a razão pela qual as pessoas são pobres é porque eles são geneticamente mais burros e mais fracos do que os ricos. Mas eles não conseguem ver as contradições que se encontram no seu próprio argumento. Alguém que nasceu em uma família pobre vai ter que trabalhar de forma exponencialmente maior do que alguém nascido de uma família rica para ganhar a mesma quantidade de riqueza, para não mencionar que o pobre não terá a mesma quantidade de recursos para começar como uma criança da alta classe.

Independentemente da composição genética, os ricos têm as cartas empilhadas em seu favor. Atualmente, a educação americana é baseada em "No Child Left Behind Act” (Lei chamada: Ato de não deixar crianças para trás), que premia as escolas que funcionam bem em testes com mais financiamento federal. Isto significa que as escolas que já estão mal, acabem caindo ainda mais, acabando com ainda menos financiamento. “No Child Left Behind Act” está ferindo pobres americanos, ao recompensar os ricos americanos. Ela “cai como uma luva” para o funcionamento do capitalismo funciona como.

Como o financiamento de muitas escolas é derivado de impostos sobre a propriedade em cada distrito, os ricos que habitam casas mais caras pagam mais impostos, e em troca recebem uma educação melhor. E os pobres que residem em casas de baixa qualidade, e que muitas vezes não possuem os seus próprios suas casas acabam indo para as escolas de qualidade inferior. Como resultado, eles terão, inevitavelmente, uma qualidade inferior de experiência vida.

”No Child Left Behind Act” também assume uma abordagem darwinista social para as escolas privadas. Os estudantes que trabalham arduamente na escola pública, mas são pobres, podem ganhar bolsas para ir para uma escola particular. No início isto pode parecer positivo, porque é alguém que trabalha duro e é premiado. Mas numa segunda olhada, percebemos que eles estão levando os estudantes que possuem alta pontuação em testes padronizados de suas escolas, tornando a escola com baixas notas nos testes, em média, mais baixos do que antes. É um ciclo vicioso. Isso está condenando a nossa juventude nos bairros pobres!

Darwinistas sociais são quase sempre ricos e é fácil dizer "se você trabalhar duro você será recompensado", quando nunca tiveram que trabalhar duro para conseguir alguma coisa. Por exemplo, os ricos são capazes de pagar professores e pesquisadores particulares, enquanto os pobres não podem pagar sequer os computadores que tornaria mais fácil a pesquisa. Em teoria, todos deveriam pelo menos, começar numa base de igualdade para então prosseguir a sua própria chance de o "sonho americano", mas, infelizmente, o sonho americano é um mito.

Imagine uma escada, e cada degrau da escada é uma classe social. Digamos que o filho de uma família rica nasce três degraus até o topo da escada, e durante toda a viagem até ele tem sua família empurrando-o até que ele alcança o topo, tornando assim mais fácil. E agora, imagine um filho de uma família pobre, que nasce na parte inferior da escada. E adivinhem? Os degraus acima dele são velhos e em ruínas e ele tem sempre o medo de alguém esfaqueá-lo enquanto ele está subindo e o cara na borda do seu degrau sempre quer levá-lo alto. Quem você acha que terá mais dificuldade em chegar ao topo?

A linha inferior é que se você nasceu na riqueza é mais propenso a morrer com a riqueza, e se você nasceu na pobreza, está quase certo que você morrerá na pobreza. A solução é complicada, mas para começar, temos necessidade de financiar as escolas públicas maciçamente e fundamentalmente mudar a forma como a escola é pensada. Temos que acabar com o financiamento público de privatização da educação e no fim do financiamento privado da faculdade que só os ricos podem pagar sem tirar dívidas maciças e que podem levar décadas para pagar. A qualidade da educação não é uma mercadoria a ser comprada e vendida. Deve estar disponível gratuitamente para todos, independentemente da renda.

sábado, 14 de novembro de 2009

Governo Serra cobra taxas nas escolas e impede a mobilização estudantil


O governo do PSDB e seus aliados no Estado de SP têm organizado uma verdadeira jornada contra a livre organização do movimento estudantil nas escolas estaduais, além de permitir a ilegal cobrança de taxas no ensino público.

A direita não perde tempo: utiliza-se de todos os mecanismos para impedir que os trabalhadores e a juventude lutem por melhor qualidade de vida, por mais educação, saúde e trabalho. O governador do Estado de São Paulo, José Serra (PSDB), nobre representante dessa linhagem, cumpre a regra e ataca a educação pública e gratuita bem como os jovens.

O Secretário de Educação do Estado de SP, Paulo Renato, tucano da era FHC, tem orientado as diretorias e os coordenadores a impedirem a livre organização dos estudantes. Disfarçando-se atrás de uma fachada democrática, a Secretaria de Educação tem orientado aos diretores que eles mesmos, através da administração da escola, montem o grêmio estudantil, escolhendo os seus membros e o que eles podem ou não fazer, e desta forma impedir que o movimento estudantil se organize por si só.

O Grêmio formado pela direção da escola tem um claro objetivo: se tornar o braço da administração no meio dos estudantes.

Dessa forma os diretores montam o grêmio explicando para os estudantes que a função da entidade é ajudar a escola a funcionar organizando os estudantes em mutirões para a manutenção, limpeza, e pintura da escola. Além de colaborar com a boa relação entre os estudantes, direção da escola, e governo. Uma santa aliança!

Na verdade o papel do grêmio, na concepção do Movimento Estudantil, é a o de grêmio livre. Esse termo remete-se ao período da ditadura militar, quando os militares se utilizavam dos grêmios como centros cívicos, que tinham o objetivo de controlar os estudantes e evitar que eles exercessem qualquer atividade política, principalmente de caráter democrático contra a ditadura.

Desde essa época as direções estudantis conciliadoras aceitavam os grêmios institucionalizados e controlados. Contra essa concepção muitos jovens combateram os grêmios “chapa-branca” e organizaram a luta pela construção de grêmios livres, ligados aos interesses dos estudantes, independentes dos governos, organizando a luta pelos direitos e contra a ditadura. Com essa luta o Movimento Estudantil reconstruiu poderosas entidades, como a UNE e a UBES, impôs aos governos que parcialmente atendessem muitas reivindicações estudantis, garantindo em lei uma organização, que se não é ideal, pode ser utilizada contra aqueles que defendem os grêmios atrelados. Diz a Lei:


Art. 1º – Aos estudantes dos estabelecimentos de ensino fica assegurada a organização de grêmios estudantis como atividades autônomas representativas dos interesses dos estudantes secundaristas com finalidades educativas, culturais, cívicas, desportivas, sociais.

Parágrafo 2º – A organização, o funcionamento e as atividades dos grêmios serão estabelecidas nos seus estatutos, aprovados em assembléia geral do corpo discente de cada estabelecimento de ensino, convocada para esse fim.

Parágrafo 3º – A aprovação dos estatutos e a escolha dos dirigentes e representantes do grêmio estudantil serão realizados por voto direto e secreto de cada estudante, observando-se no que couber, as normas da legislação eleitoral. (Lei Nº 7.398, de 04 de novembro de 1985)

O ME tem o direito, por Lei, de se organizar livremente nas escolas sem interferência da diretoria. E quem rege o que ele deve ou não fazer são os estudantes!

Mas o governo Serra ignora tudo isso, fato que ficou ainda mais evidente durante o processo de eleição de delegados para o Congresso da UBES, onde as diretorias impediram os estudantes de se organizarem em muitas escolas, ficando claro que se trata de uma orientação desse governo. Em algumas escolas nem mesmo é permitido a entrada de diretores das UMES e da UBES! O grêmio só pode ter reunião se antes pedir permissão para a diretoria!

Além dessa política de combate à organização dos estudantes, o governo de SP dá passos rumo à privatização da escola pública permitindo a cobrança de taxas. Em várias escolas do estado de São Paulo os estudantes têm sido obrigados a pagar uma taxa de cerca de R$ 2,00 por prova, isso se quiser receber os testes, ou avaliações “xerocadas”. Se não pagar, ele é obrigado a copiar do quadro negro ou fica sem o direito de fazer a avaliação. Fato semelhante vem ocorrendo na exigência da compra do uniforme escolar, comercializado nas escolas por empresas particulares.

O jornal Folha de São Paulo explica que na Escola São Paulo (considerada escola modelo) “a avó de uma aluna transferida para o colégio no segundo semestre relata que comprou as roupas da escola em agosto, por R$ 134,00 o conjunto (calça, blusão e camiseta). ‘Sem uniforme, me disseram que ela não poderia frequentar [as
aulas].’” (FSP, 22/10/09)

Mas a lei estadual (Lei Nº 3.913, de 14 de novembro de 1983) proíbe qualquer tipo de cobrança, veja:



Artigo 1º – Aos estabelecimentos oficiais de ensino do Estado fica proibido:
I – cobrar taxa de matrícula;
II – exigir contribuição pecuniária para a Merenda Escolar;
III – locar dependências do prédio, no todo ou em parte;
IV – cobrar material destinado a provas e exames; 1ª via de documentos, para fins de transferência, de certificados ou diplomas de conclusão de cursos e de outros documentos relativos à vida escolar;
V – instituir o uso obrigatório de uniforme;
VI – vetado
VII – exigir qualquer outra forma de contribuição em dinheiro.
O secretário da Educação, aplicando a política de privatização do governo Serra, combate a organização dos estudantes e procura, tal qual a ditadura dos anos 70/80, tentar impedir o avanço do Movimento Estudantil, que se organizado desde a base, de maneira livre e independeste pode, não só ameaçar sua ditadura nas escolas, bem
como o conjunto da política tucana.

É preciso avançar! É por isso que os camaradas da Juventude Revolução lançaram o manifesto “Sindicato de Estudantes” que trabalha na formação de grêmios com a concepção de entidades estudantis como sindicatos livres, que lutem por uma educação de qualidade, 100% pública e para todos. Entre em contato com a Juventude Revolução e veja como organizar a luta na sua escola!